terça-feira, 24 de maio de 2011

Da Sobrevivência

O Tempo é um remédio caro para as dores duradouras. Deixa cicatrizes resistentes, pouco visíveis. Quando o Amor está distante da ponta dos dedos e da língua, é certo que há grande sofrimento. Mas também é certo que para evitar uma morte lenta e irreversível  da Dor a cicatrização não deve se consumar. É preciso cotucar a ferida a intervalos regulares. Fazê-la sangrar. Banhá-la com lágrimas e soluços.
A Paixão essencial é o prazer na Dor. Quem ama gosta de sofrer por amor. Pelo Amor. Amor sem dor de paixão fica extremamente tedioso. Os amantes, masoquistas que são, e nisso afirmo que não há excessões, quando já não sentem Paixão procuram outras pontiagudezas para se ferir. 
Há que sangrar. Para que não esmoreça, há que sangrar.

sábado, 7 de maio de 2011

Do imortal

Minha saudade já não é a mesma. Quando a desgraçada ressuscita não há o que a mate. Facada é comichão, bala de prata: guloseima. E veneno a faz, no máximo, tirar uma soneca.
Me grita do Olimpo "Desista!"

domingo, 1 de maio de 2011

Segredos

Há um universo inteiro dentro de mim. O maldito grita aos quatro ventos. Quinhentas mãos brotam do meu peito para que eu possa calá-lo. Sufoca. Mas não morre.