O Tempo é um remédio caro para as dores duradouras. Deixa cicatrizes resistentes, pouco visíveis. Quando o Amor está distante da ponta dos dedos e da língua, é certo que há grande sofrimento. Mas também é certo que para evitar uma morte lenta e irreversível da Dor a cicatrização não deve se consumar. É preciso cotucar a ferida a intervalos regulares. Fazê-la sangrar. Banhá-la com lágrimas e soluços.
A Paixão essencial é o prazer na Dor. Quem ama gosta de sofrer por amor. Pelo Amor. Amor sem dor de paixão fica extremamente tedioso. Os amantes, masoquistas que são, e nisso afirmo que não há excessões, quando já não sentem Paixão procuram outras pontiagudezas para se ferir.
Há que sangrar. Para que não esmoreça, há que sangrar.