Um mosquito
me picou ontem.
Suas pernas
não tinham pintas brancas.
Sua cor não
era pálida.
A picada não
me deixou doente.
A fêmea que
me sugou nasceu no máximo há trezentos metros de distância de onde eu estava.
O maldito
inseto vive apenas um mês.
Penetrou na
minha vida e na minha pele por pouquíssimo tempo.
Ouvi suas
asas batendo mil vezes por segundo. Ela veio e me roubou todo sangue que
queria, marcando meu couro com a boca afiada.
Sua baba
tóxica me incomodará por dias.
A maldita
picada coça.
Com a unha
raspo o ponto e cavo na carne sem cavar. Alargo o ponto.
Lembro da
língua ingrata que me pagou com dor a vida que tomou de mim.
A delícia de
alargar a ferida coçando me assusta. Não tocar parece impossível.
Alcool ajuda
a ignorar. Não por muito tempo.
Tantos mosquitos ainda posso adivinhar penetrando em meu caminho.
Minha existência fugaz fadada à dor e ao estranho prazer dela desprendido - de novo e de novo.
Comichões destinados ao limbo do esquecimento como se nunca tivessem existido.
No derradeiro filme nenhuma picada ocupará cena. Talvez a lembrança indiferente do ruído de asas indistintas assopre ao fundo.
Tantos mosquitos ainda posso adivinhar penetrando em meu caminho.
Minha existência fugaz fadada à dor e ao estranho prazer dela desprendido - de novo e de novo.
Comichões destinados ao limbo do esquecimento como se nunca tivessem existido.
No derradeiro filme nenhuma picada ocupará cena. Talvez a lembrança indiferente do ruído de asas indistintas assopre ao fundo.
Um
pernilongo fêmea comum me picou. Em alguns dias a existência dessa vida na
minha história será apagada para sempre.
Mas até lá,
como coça!
Nenhum comentário:
Postar um comentário